segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Robocop, até que foi legal.

"Teria na cor preta?"

   Sábado eu assisti ao filme Robocop, de José Padilha. Ao contrário do que eu esperava, o filme me agradou bastante, mesmo não se parecendo tanto com a primeira versão. Até pela minha idade, eu não tenho aquele preciosismo todo com o primeiro Robocop, já que fui ver muito tempo depois já como um clássico antigo, ao contrário do desenho do Robocop que eu gostava bastante quando criança. Lembro que eu tinha um carrinho de polícia muito parecido com a viatura dele e gostava muito de brincar que aquele era o carro do Robocop, fazendo patrulha entre meus outros brinquedos.
   Enfim, quando vi o trailer, fiquei com uma péssima impressão do filme. O novo Robocop parecia afrescalhado, sem o jeitão de policial ou sem os traços de robô. Não era "robo" nem "cop". Aquela mão me deu uma raiva tremenda, sem falar no traje preto. Não vou nem falar da moto que, como vocês já viram, destruiu minhas lembranças infantis.
   Tentei ver o filme com a cabeça aberta, não queria declarar nada. O começo, com o programa do Samuel Jackson, já fez meu interesse aumentar. Quanto vi que reaproveitaram a trilha sonora clássica, estava pronto para ver o filme.
   Para minha alegria, tudo que eu tinha visto no trailer não condizia com a verdade. O novo Robocop é sim pesadão como o primeiro. A moto em que ele anda é uma moto toda adaptada para aguentar o peso dele. E a mão dele não é de verdade, mas um implante para que acha tato. Conseguiram consertar até a falha científica do primeiro filme.
Quanto a roupa preta, conseguiram justificar a escolha.
   Sim, esse Robocop tem consciência de quem é, ao contrário do primeiro, mas há a mesma luta de homem tentando superar a máquina, já que ele é "zumbificado" e depois corrige isso por vontade própria. Também há a questão da diretriz, já que ele não pode machucar quem usa a pulseirinha vermelha.
   Olhando nesse sentido, não muita diferença de um Robocop para outro. Sendo assim, não faz muito sentido regravar outro filme, se é para fazer igual. Não, o Robocop de Padilha tem uma pegada muito atual que não se encontra no filme antigo.
Enquanto o  antigo surpreendia o público pela violência, o atual (que tem censura de apenas treze anos) tem toda uma pegada ética e moral. Esse filme possui várias críticas ao homem moderno e choca o público por mostrar até onde estamos indo. Sua relação com a família também foi bem explorada, o que eu acho uma necessidade atual.
Como disse meu amigo Tobias, é interessante assistir esse filme nos cinemas para ver a reação do público. Na cena em que o doutor vai retirando as partes robóticas e mostra para Murphy apenas a cabeça e os pulmões, os sons de asco tomam conta da plateia.
   Sendo assim, o novo Robocop me convenceu. É o Robocop que essa geração merece, uma geração que não se choca mais com a violência tão comum dos noticiários, mas que precisa se chocar com o que estamos nos tornando. A falta de ética da empresa OCP é uma perfeita caricatura do Brasil e do mundo.
É tanto o Robocop que essa geração merece que é um Robocop super-herói, uma mistura de Batman com Homem de Ferro. Tivemos até o Gary Oldman dando uns berros. Mas aos saudosistas que preferem o antigo, digo apenas que esse é o mundo e o Robocop que vocês deixaram para seus filhos.