sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma imensidão azul

Sempre considerei a cor azul como a cor da melancolia.
   Sou uma pessoa muito visual. Gosto de ter imagens formadas em minha cabeça de tudo, até mesmo do abstrato. Uma das manifestações disso é o fato de eu ter uma determinada cor ligada com cada sabor, cheiro, som ou sentimento que conheço. A voz do meu confessor tem uma cor roxa austera; o cheiro do meu irmão é um verde amarelado nauseante; os pesadelos que tenho toda noite são de um branco cegante; a saudade da minha avó é de um vermelho amarronzado; o gosto de pizza é um laranjado amigável; e a tristeza e a melancolia são azuis como o céu e o mar.
   Parece bobeira, mas isso tem muita importância para mim. Gosto de até mesmo de usar roupas que combinam com meu espírito. Nos meus melhores dias, estarei usando a seriedade do preto, que faz o chão parecer mais firme abaixo de mim.
Nos últimos dias, quando eu acordava de manhã, não só o céu parecia estar azul, mas o chão, as árvores, as pessoas, as casas, e até mesmo eu, por dentro e por fora.
   Eu não conseguia bem entender o motivo de tudo aquilo. Uma fadiga enorme tomava conta de mim, eu sentia o mundo pesando nas minhas costas e uma vontade de chorar, mas meus olhos estavam totalmente secos. Isso tudo me levou a um desânimo total. Eu já não conseguia ler, estudar, ou qualquer outra coisa. Tudo era desinteressante... e azul.
   Decidi que era hora de repensar minha vida, e resolvi me afastar para ver todo o panorama. Viajei para a cidade onde tomei as maiores decisões da minha vida e estive com as pessoas que participaram das minhas escolhas. Isso me refigurou e eu voltei com ânimo para continuar. Ali estava eu, no último ano de faculdade, com tantas responsabilidades disposto a encarar cursos noturnos, projetos de mestrado e empregos. Eu sentia a mesma energia da primeira vez que voltei de Petrópolis. O que aquela cidade me faz eu não sei, mas ela é a minha concepção visual das "campinas verdejantes" do Salmo 23.
   Hoje me sinto melhor, mas o vento é mais forte próximo do pico da montanha, não estou cem por cento recuperado, ainda tenho que encontrar a causa dessa melancolia. Só consegui repor as energias para continuar a caminhada. Seja o que for que está me devorando por dentro, espero dar um fim.
   Meus caros leitores, esse texto não é só um desabafo, é a minha explicação pela falta de dedicação a esse blog que prometi alimentar. Voltar a escrever nele é uma prova de que estou caminhando para melhorar e a voltar a enxergar o mundo com outras cores. Conto com a compreensão e o apoio de vocês!

Quae fuit durum pati meminisse dulce est!